Osteopatia

Esclerose Múltipla (EM), os efeitos benéficos da reabilitação neurofuncional.

O que é Esclerose Múltipla (EM)?

A Esclerose Múltipla (EM) é uma doença neurológica crônica, autoimune e inflamatória, que afeta os axônios mielinizados no sistema nervoso central. Caracteriza-se por deterioração neurológica progressiva ao longo do tempo. É a principal causa não traumática de incapacidade em jovens adultos e afeta predominantemente mulheres. A EM pode manifestar-se em diferentes formas, como:

  • EM Remitente-Recorrente (EMRR): a mais comum (80%), marcada por surtos seguidos de remissão.
  • EM Secundária-Progressiva (EMSP): caracterizada por uma progressão gradual após o estágio remitente.
  • EM Primária-Progressiva (EMPP): com progressão contínua desde o início, sem surtos definidos.

Os sintomas variam amplamente e incluem disfunção cognitiva, fraqueza muscular, fadiga excessiva, ataxia de marcha, espasticidade e perda de controle da bexiga.

Quais os desafios enfrentados por pacientes com EM?

A EM apresenta sintomas que impactam significativamente a qualidade de vida, como:

  • Motor: fraqueza muscular, desequilíbrio e ataxia de marcha.
  • Cognitivo: dificuldades de memória e atenção.
  • Fadiga: um dos sintomas mais debilitantes e comuns.
  • Psicológico: maior prevalência de depressão e ansiedade.

Além disso, os pacientes enfrentam um alto risco de quedas e desafios relacionados à independência funcional.

Como o Pilates auxilia na reabilitação da EM?

O Pilates é uma abordagem terapêutica eficaz que combina estabilidade do core, força, flexibilidade, controle postural e conexão mente-corpo. Estudos indicam que o método pode ser uma ferramenta poderosa na reabilitação de pacientes com EM (pwMS), com benefícios como:

  1. Melhora do equilíbrio e da marcha:
    1. Estudos demonstram melhorias significativas no equilíbrio e na estabilidade postural com o Pilates, utilizando testes como Berg Balance Scale e Timed Up and Go Test.
    1. Benefícios na marcha, com ganhos em velocidade, distância percorrida e qualidade da caminhada, comparáveis a exercícios de fisioterapia padrão.
  2. Condições físicas e funcionais:
    1. Aumento da força muscular, estabilidade do core e capacidade aeróbica.
    1. Melhoria na composição corporal e desempenho físico, otimizando as atividades da vida diária.
  3. Redução da fadiga:
    1. Pilates mostrou resultados positivos na redução da fadiga, embora em alguns casos os resultados não superem os de outras intervenções, como exercícios aeróbicos.
  4. Qualidade de vida e função cognitiva:
    1. O Pilates promove melhorias na qualidade de vida, tanto em aspectos físicos quanto mentais.
    1. Ganhos na função cognitiva, como memória e atenção, especialmente em comparação a exercícios realizados em casa.

Comparação com outras intervenções

Embora o Pilates seja altamente eficaz para pwMS, sua superioridade em relação a outras modalidades de reabilitação, como exercícios aquáticos ou terapia de relaxamento, ainda é inconclusiva. Além disso, intervenções supervisionadas tendem a apresentar melhores resultados do que programas realizados de forma autônoma.

Conclusão

O Pilates é uma intervenção segura e eficaz para pacientes com Esclerose Múltipla, oferecendo melhorias significativas em equilíbrio, marcha, capacidades físicas e cognitivas. Apesar das limitações metodológicas em alguns estudos, a alta adesão ao método e a baixa ocorrência de efeitos adversos reforçam seu potencial como ferramenta de reabilitação. Pesquisas futuras devem focar em amostras maiores, acompanhamento a longo prazo e comparações diretas com outras modalidades para definir protocolos mais robustos e personalizados.

Fonte: 10.3390/jcm11030683

Therapeutic Effects of the Pilates Method in Patients with Multiple Sclerosis: A Systematic Review – PubMed

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